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À conversa com… José Pimentão


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José Pimentão. 28 anos. Ator.

É a música que o leva a pisar o palco. Durante nove anos foi guitarrista e vocalista de uma banda rock. Mas no dia em que veste a primeira personagem, descobre um novo rumo e mergulha noutros ritmos.

Formado pela ACT – Escola de Atores, aí trabalhou com António Pires, Beatriz Batarda, Elsa Valentim, Inês Nogueira, John Mowat, Nuno Nunes, Nuno Pino Custódio, Petronille de Saint Rapt, Sofia de Portugal, Teresa Lima, Tomi Janezic, e Vicente Alves do Ó.

Ao longo do seu percurso, tem trabalhado ativamente em cinema como ator e não só.

Colaborou na criação do espetáculo “Muros”, residência artística no âmbito do TeatroAgosto 2015 – Festival Internacional de Teatro ao Ar Livre e foi co-criador e interprete do espetáculo “INVAZIO ou a Autoridade Mundial em Solidão”, com encenação de Luís Moreira, na COMUNA – Teatro de Pesquisa em fevereiro de 2016. Em 2015, criou e realizou a curta-metragem “Muda”.

De parte ficaram outros talentos, como os de Gestão e Administração de Empresas, licenciatura que tirou, entretanto, na Universidade Católica Portuguesa.

José Pimentão é dono de um talento, paixão e vontade de fazer únicos. Quisemos saber um pouco mais sobre este artista português.

 

Ubber White (UW): Como surge a paixão pela representação?

José Pimentão (JP): Desde muito novo que fui habituado pela minha família a ir ao teatro, e como tal tenho tentado ser um espectador atento ao que por cá se tem feito nos últimos anos. No entanto, e apesar de ter estado muito tempo ligado à música, o meu gosto pela representação foi sempre apenas enquanto espectador, embora o teatro (pelo facto de ser uma arte do palco) me tenha desde cedo despertado curiosidade do ponto de vista do intérprete.

Posto isto, e embora nunca o tenha feito na infância ou adolescência, o primeiro contacto com a representação enquanto ator fez-me perceber claramente que esse teria de ser o caminho a seguir.

E foi. Um caminho que tem sido feito entre o palco e a grande tela, sempre aberto a novos desafios.

 

UW: Preferes teatro ou cinema?

JP: Trabalhar para teatro ou cinema é totalmente diferente. Os processos de trabalho; a forma de abordar e construir a personagem; as técnicas aplicadas para trabalhar com câmara vs palco… é tudo muito diferente. São ambas áreas muitíssimo exigentes que requerem métodos específicos para cada uma delas e sempre muito, muito empenho e foco por parte do ator, daí ser complicado compará-las e eleger uma preferida.

 

UW: A televisão é um objetivo?

JP: A televisão – embora esteja mais próxima do cinema que do teatro, pelo facto de se trabalhar com câmara – é em si também uma área distinta e com processos muito particulares. Para além disso, o ritmo exigente a que se produzem os conteúdos de ficção torna-a um ambiente propício ao aumento da capacidade de trabalho e desenvolvimento do ator. Por tudo isto, por gostar de novos desafios e por privilegiar a versatilidade e aptidão no maior número de áreas possível a resposta é: sim, a televisão é um objetivo.

 

UW: Há algum registo que te caracterize ou onde te sintas mais confortável?

JP: Felizmente, ao longo do meu ainda curto percurso tenho tido a oportunidade de trabalhar personagens em registos bastante diversos: desde um pai que assassinou uma filha recém-nascida, a um delinquente da Irlanda dos anos 90 ou até, mais recentemente, um jovem e honrado príncipe britânico traído pela sua amada. Cada género, personagem ou história requer perspetivas e abordagens específicas, e em cada novo projeto no qual embarco – visto que os códigos de trabalho de cada encenador também ajudam a moldar o processo – procuro sempre percorrer caminhos distintos.

 

UW: Consideras que para vingar no mundo da representação, basta ter talento?

JP: Não só não basta ter talento como creio que esse representa uma parte, manifestamente, pequena daquilo que é um bom profissional na área da representação, visto que cada vez mais acredito que o foco, o trabalho árduo e a generosidade são a chave para o desenvolvimento de trabalhos mais interessantes e para a construção de uma carreira.

O talento é necessário e pode ser a variável que por vezes permite a um ator atingir um outro patamar. Contudo, a genialidade não se materializa a si própria, pelo que o ator deve sempre empenhar-se num trabalho sério que lhe permita, em combinação com o seu talento, exceder-se a si próprio.

 

UW: Como ator, qual é o teu grande objetivo?

JP: Aproximar as pessoas num mundo em que nos encontramos cada vez mais distantes uns dos outros.

A criação artística incita à reflexão, à tomada de posição e à discussão, tal como incita também à abertura, à entrega e à comoção. Acredito que as artes performativas reúnem todas estas condições e tentam fazer de cada espetáculo um momento de generosidade, de verdadeira comunhão entre público e performers. Este ponto de contacto não só nos coloca em relação com o outro mas também connosco próprios, promovendo o desenvolvimento das relações humanas.

 

Testemunho inspirador, pela forma como vê, pensa e faz a arte da representação.

Conhecedor da nossa marca, por breves instantes, tomamos ainda a liberdade de pedir a sua opinião sobre a Ubber White.

 

UW: Qual a tua opinião sobre a essência do projeto Ubber White?

JP: O que me cativa na Ubber White é o facto de trabalhar todos os dias com o objetivo de aproximar as pessoas e fazê-las felizes.

Propõe-se ser mais do que um simples bem de consumo: propõe-se ser arte. Ao assumir esta tomada de posição, a Ubber White acaba por aproximar, inevitavelmente, os criadores dos consumidores, oferecendo-lhes algo com que se podem identificar e emocionar.

 

Atualmente, José Pimentão encontra-se a ensaiar “Cimbelino” de William Shakespeare, um espetáculo encenado por António Pires com estreia marcada para o dia 16 de julho, no âmbito do Festival Internacional de Teatro de Almada. A mesma seguirá depois para Lisboa onde estará em cena de 3 a 13 de agosto, nas Ruínas do Convento do Carmo, inserido no “Glorioso Verão” – festival dedicado a Shakespeare, co-produzido pelo Teatro Nacional Dona Maria II e pelo São Luiz Teatro Municipal.

Paralelamente, José Pimentão, está dedicado à pesquisa para uma longa-metragem a rodar em outubro deste ano, com estreia agendada para 2017.

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